Enquanto o mundo discuti a questão do aquecimento global e o avanço do desmatamento em áreas tropicais, na mesma edição de 2005 a revista criticou a criação da reserva indígena Serra do Sol. Destacamos a seguir parte do referido artigo.
“Em vez de transformar a região num celeiro de grãos e gado, sucessivos governos passaram a dar maior ênfase à preservação da floresta, à criação de santuários ecológicos e à manutenção dos índios no estágio pré-histórico abrindo espaço apenas para projetos econômicos ambientalmente corretos. Nada de grandes e incertas investidas desenvolvimentistas em franco desafio à vocação da floresta. Em Rondônia e no Pará, o progresso ainda conseguiu manter abertas algumas clareiras. Mas, nas regiões de mata mais fechada e terras alagadas, afogou-se o sonho de uma Amazônia desenvolvida”.
Parece insanidade, mas é a pura realidade: o articulista chama de “progresso” a manutenção de algumas clareiras em áreas menos fechadas da Amazônia, e chama de pré-históricos os índios que vivem na região – em especial da reserva Serra do Sol. Eles são a favor do militarismo, como vemos na sequência do próprio artigo.
“O problema mais dramático ocorre atualmente em Roraima. Os brasileiros e seus descendentes que acreditaram na pregação dos militares estão agora em Roraima perdidos na contramão da história, insistindo em vão em ser cidadãos produtivos, integrados à economia moderna, quando tudo a sua volta – governo, igrejas e ambientalistas – conspira para devolver a mata a seu estado prístino”.
Mais uma vez o colunista usa de chacota ao chamar a mata (floresta) de prístino (adjetivo poético de prisco, ou seja, antigo, passado). Trocando em miúdos, o autor prefere o desenvolvimentismo militarista destruidor e consumista à preservação da fauna e flora amazônica. Um típico comentário de um capitalista e com um tom yanque.




