A insistência em perseguir os lideres esquerdistas da América Latina parece não ser apenas uma questão de liberdade de expressão, mas uma perseguição aberta e declarada ao avanço do socialismo na região. Não tenho a menor dúvida que a estratégia da CIA - de confundir a população e colocá-los em rota de colisão com seus representantes - esta em franca operação na América do Sul, através de subsídios clandestinos a órgãos de imprensa simpáticos a Casa Branca.
No Brasil uma das beneficiadas é a revista Veja. Há, também, interesses oligárquicos nacionais por trás das críticas ao governo Lula e os movimentos sociais de nosso país. Mas não pense você que as críticas se limitam apenas ao Brasil, como vemos no artigo “Quem precisa de um novo Fidel?”, publicado pela revista Veja em 2005, no qual acusa Chaves de ditador, formador de milícias e que apoia governos totalitários e aparelha as guerrilhas da Colômbia.
Enquanto o mundo discuti a questão do aquecimento global e o avanço do desmatamento em áreas tropicais, na mesma edição de 2005 a revista criticou a criação da reserva indígena Serra do Sol. Destacamos a seguir parte do referido artigo.
“Em vez de transformar a região num celeiro de grãos e gado, sucessivos governos passaram a dar maior ênfase à preservação da floresta, à criação de santuários ecológicos e à manutenção dos índios no estágio pré-histórico abrindo espaço apenas para projetos econômicos ambientalmente corretos. Nada de grandes e incertas investidas desenvolvimentistas em franco desafio à vocação da floresta. Em Rondônia e no Pará, o progresso ainda conseguiu manter abertas algumas clareiras. Mas, nas regiões de mata mais fechada e terras alagadas, afogou-se o sonho de uma Amazônia desenvolvida”.
Parece insanidade, mas é a pura realidade: o articulista chama de “progresso” a manutenção de algumas clareiras em áreas menos fechadas da Amazônia, e chama de pré-históricos os índios que vivem na região – em especial da reserva Serra do Sol. Eles são a favor do militarismo, como vemos na sequência do próprio artigo.
“O problema mais dramático ocorre atualmente em Roraima. Os brasileiros e seus descendentes que acreditaram na pregação dos militares estão agora em Roraima perdidos na contramão da história, insistindo em vão em ser cidadãos produtivos, integrados à economia moderna, quando tudo a sua volta – governo, igrejas e ambientalistas – conspira para devolver a mata a seu estado prístino”.
Mais uma vez o colunista usa de chacota ao chamar a mata (floresta) de prístino (adjetivo poético de prisco, ou seja, antigo, passado). Trocando em miúdos, o autor prefere o desenvolvimentismo militarista destruidor e consumista à preservação da fauna e flora amazônica. Um típico comentário de um capitalista e com um tom yanque.
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