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É preciso priorizar o social


A política econômica de um país deve andar lado a lado com o social. O social deve ser uma das prioridades máximas de uma administração, seja ela de âmbito municipal, estadual ou federal. Não se trata de mero populismo - como alguns se referem aos programas sociais do governo -, mas de uma política social que venha responder aos anseios dos mais necessitados. A riqueza de um país não deve ser medida apenas do ponto de vista econômico, mas também do ponto de vista social. De nada adianta termos um dos maiores PIBs do mundo, se as políticas sociais andam lentamente.

Ser um país desenvolvido não significa apenas possuir uma ampla rede industrial, mas também equivale em ser um país onde as desigualdades sociais não existem. É realmente necessário investir em infra-estrutura, descobrir novas fontes energéticas, ampliar e construir novas usinas hidelétricas, mas também é necessário investir na saúde, educação, moradia, trabalho, cursos profissionalizantes, segurança, saneamento básico, preservação do meio ambiente etc.

Muitos acreditam que a vida nos países desenvolvidos é "um mar de rosas", não é bem assim. É certo o ditado que diz que onde há capitalismo, há desigualdade social. Ao mesmo tempo que o capitalismo oferece novas oportunidades, ele estabelece uma imensa distância entre ricos e pobres. Os governos dos países capitalistas geralmente investem bilhões no setor industrial, permitindo que os proprietários dos meios de produção obtenham lucros exorbitantes. O grande problema é que enquanto os ricos ficam mais ricos, aos operários resta apenas uma parcela insignificante do faturamento total da empresa. Do ponto de vista econômico, há um certo progresso no país; entretanto, do ponto de vista social, o progresso é relativo e se passa em circunstâncias mínimas de sobrevivência. Como disse Karl Marx: "Mas para oprimir uma classe é preciso poder garantir-lhe condições tais que lhe permitam pelo menos uma sobrevivência de escravo" (Manifesto Comunista, p. 24).

Para que o capitalismo sobreviva, é necessário a existência de dois elementos básicos: mão-de-obra e consumidores. Visando ampliar seus lucros, os proprietários dos meios de produção reduzem ao máximo o gasto com mão-de-obra e produtos manufatureiros. Tal não acontece apenas nos países subdenvolvidos, mas também nos países ao norte do hemisfério. A medida que as novas tecnologias substituem cada vez mais a presença humana nas fábricas, diminui-se significativamente a capacidade de consumo do homem. O resultado final será a própria destruição dos meios de produção, resultado da diminuição da capacidade de consumo.


Um novo modelo para a sociedade


Estou cada vez mais convencido que os dois sistemas econômicos - capitalismo e socialismo - possuem falhas e acertos. Ao mesmo tempo que o capitalismo oprime, gera conflito entre os povos, ele oferece facilidades ao homem. Mas que facilidades? Tecnológicas, é claro. Imagine como seria o mundo hoje sems os meios de comunicação, os automóveis, as aeronaves, os eletrodomésticos etc. Essas tecnologias tornam a vida mais fácil, mais ágil.

É bem verdade que desde a Revolução Indústrial, lá pelos idos de 1750, as novas tecnologias têm sido responsáveis pelo aumento do desemprego e miséria no mundo. O serviço que antes era realizado por 40 operários, agora passou a ser realizado por uma única máquina. O desenvolvimento da tecnologia robotica tem sido um mal para a sociedade.

O socialismo possui aspectos interessantes, como a luta pela igualdade social, o direito ao trabalho e a educação, a luta pelo direito da mulher e da criança, mas tem deixado a desejar quando o assunto é, por exempro, a questão da liberdade religiosa e de expressão. Concordo plenamente que o socialismo é uma opção melhor que o capitalismo, mas ele não possui todas as respsotas que o mundo requer. O ideal seria que se criasse um novo sistema, unindo aspectos (positivos, é claro) do socialismo e do capitalismo. Não se trata apenas de humanizar o capitalismo, mas sim de oferecer novas alternativas ao homem.


Os caminhos do poder


É direito de todos os movimentos sociais, políticos ou religiosos, lutarem pelo crescimento de seus quadros e representatividade na sociedade, mas há que preço? Muitos, inclusive alguns entusiastas "esquerdistas" são fãs secretos da ideologia de Maquiável - "Os fins justificam os meios " -, ou seja, segundo Maquiável, não importa como se alcança o poder, conquanto que se alcance. Mas será mesmo que os fins justificam os meios? Ou os meios justificam os fins? O Socialismo não é um projeto como outro qualquer, ele possui uma história e uma imagem a preservar. Nenhum comunista, por mais que ansei por mudanças e transformação social, deve cair no erro de Maquiável. Essa frase pode ser significativa para os movimentos de direita, mas não para nós.

Infelizmente alguns parecem caminhar por uma via contrária, se aliando a pseudo-esquerdistas e caindo no mesmo erro da politíca tradicional. Ao que parece, o interesse de alguns não é mais fazer política para o povo, mas sim para si mesmos. Nas reuniões e assembléias partidárias não se discute mais projetos de governo, mas sim estratégias de campanha. O interesse hoje parece ser apenas fazer candidato, nada mais. Cada um que leve sua própria bandeira.
Existem inúmeros partidos de "esquerda", mas poucos fieis a ideologia socialista. São apenas partidos de aluguel, servindo aos interesses da classe dominante. O mais interessante é que alguns, seja por inocência ou conveniência própria, são discípulos das idéias de Voltaire -"Não concordo com nenhuma palavra que você diz, mas defenderie até a morte o seu direito de dizê-las ". São tolos úteis nas mãos da burguesia estadinense. Sabem que há algo de errado, mas nada fazem para mudar a situação. É o jogo do poder - dirão alguns. Afinal, os fins justificam os meios.


É preciso respeitar a América Latina


A América Latina sempre foi vista como uma espécie de "subúrbio do mundo", uma "fonte de recursos naturais e humanos" dos países desenvolvidos. A fome e a desigualdade social são consequências da intervenção dos países ricos, como os EUA, que desde a independência dos países latinos vêm dominando-os abertamente. Com o término da Segunda Guerra Mundial e o inicio da Guerra Fria, dois principais polos passaram a se opor: o norte-americano (capitalista) e o soviètico (socialista), com suas respectivas àreas de influência, constituídas pelos países que apoiavam esta ou aquela superpotência. A América Latina, que sempre esteve submetida aos caprichos americanos, passou a ser dominada de maneira mais visível a partir da década de 60.


A derrubada do governo de Bartista em 57, em Cuba, pela frente revolucionária liderada por Fidel Castro e The Guevara, foi duramente criticada pelo governo americano, que passou a impor sanções econômicas ao país, impossibilitando seu desenvolvimento. O avanço das idéias socialistas nessa região passou a representar uma séria ameaça aos interesses dos estados Unidos. Para que a revolução iniciada em Cuba não se espalhasse pelos demais países latinos, os Estados Unidos adotaram várias estratégias a fim de manter a sua influência sobre os países latino-americanos. Para tanto, o governo americano passou a incentivar a realização de golpes militares em vários países, como Brasil, Argentina e Chile.

Durante os governos militares, os EUA ampliaram sua influência na América Latina. Atualmente os EUA prosseguem em seus esforços para manter o continente como área dos seus interesses estratégicos. Momentaneamente, concentram suas atenções na desertatização de Cuba e da Revolução Bolivariana da Venezuela, no esmagamento da luta guerrilheira na Colômbia.